SINISTRALIDADE RODOVIÁRIA


Este tema continua na ordem do dia e é da maior relevância para a segurança de todos nós.

Assim, abrimos a discussão com este documento apresentado pelo autarca Fernando Reis, na Assembleia de Freguesia de Fernão Ferro, realizada em 22 de Junho de 2006, e que mereceu a aprovação unânime das forças políticas ali representadas.

CONTRA A
SINISTRALIDADE RODOVIÁRIA
EM FERNÃO FERRO

Portugal é um dos países europeus com maior sinistralidade rodoviária.

Segundo a Comissão Europeia, estima-se que os custos socio-económicos da Sinistralidade Rodoviária em Portugal sejam equivalentes a 3% do PIB, ou seja, aproximadamente 4.2 mil milhões de euros.

Portugal é, infelizmente, o que tem maior número de mortos nas estradas por habitante, sendo o Distrito de Setúbal um dos piores, segundo as estatísticas da Direcção-Geral de Viação.

No Distrito de Setúbal, concelho do Seixal é aquele onde se registam mais acidentes e, neste, a Freguesia de Fernão Ferro é, seguramente, uma das freguesias com maior índice de sinistralidade rodoviária, onde as colisões são uma constante.

O que não surpreende ninguém pois as estatísticas confirmam que no Distrito de Setúbal a percentagem de colisões é superior à média nacional.

Ainda segundo as estatísticas, a maioria dos acidentes com vítimas, feridos graves e leves ocorrem dentro das localidades.

No relatório, em anexo, do Posto Territorial da GNR de Fernão Ferro, sobre o Registo de Acidentes de Viação que se verificaram na Freguesia em 2005 e desde o dia 01 de Janeiro até ao passado dia 17 de Junho de 2006, os números apresentados são esclarecedores apesar de se referirem apenas aos acidentes que aquele Posto Territorial registou, pois de fora ficaram muitos mais acidentes, não só aqueles que o PT/GNR de Paio Pires e a GNR-BT-SDT de Coina registaram na área da sua jurisdição mas também os
que dispensaram a intervenção das autoridades.



Um acidente é um acontecimento que ocorre mercê de um conjunto de factores que se encontram simultaneamente num determinado espaço e tempo.

Nunca se pode dizer que um factor é a causa única de um acidente.

No entanto, sabemos que alguns dos factores aparecem sistematicamente em muitos acidentes, o que os aponta como epidemiologicamente significativos.

Como a própria GNR menciona, as causas mais frequentes são o desrespeito da sinalização vertical e da prioridade e o excesso de velocidade, entre outras.

Assim, devíamos reduzir a ocorrência desses factores para garantirmos a diminuição dos acidentes.

A começar logo pela organização toponímica e rodoviária.
As características rectilíneas do traçado topográfico da Freguesia de Fernão Ferro, permite uma orientação fácil e uma boa segurança rodoviária se existir uma organização toponímica e rodoviárias adequadas.

A organização toponímica da Freguesia é confusa, deficiente e omissa e, por conseguinte, propícia a provocar desorientação e distracções a quem conduz à procura de uma rua cuja localização desconhece.

Muitas das colisões dão-se porque os condutores iam distraídos à procura de determinada rua que estava difícil de encontrar.

Seria fácil, e mais seguro, encontrar qualquer rua se estas fossem intercaladas com nomes e numeração seguida e de forma lógica, ou seja: de Norte para Sul com nomes e de Este para Oeste com numeração.

Também o sistema informativo das vias, em Fernão Ferro é insuficiente, não prima pela sincronia e é pouco eficaz.

Onde a sinalização informativa já existe esta está colocada de forma deficiente e até errática.

A situação que se verifica no cruzamento da Rua Luís de Camões com a Rua da República onde se encontra colocada num poste uma caixa a indicar o sentido que conduz à AURPI (Associação Unitária Reformados e Idosos) que é uma Associação que não pertence a esta Freguesia, quando o correcto seria ARPIFF (Associação Reformados, Pensionistas e Idosos de Fernão Ferro) é apenas um exemplo da atenção que se dá a estas questões.

Se é verdade que muitos dos acidentes são da responsabilidade dos condutores que não respeitam as regras de condução e os limites de velocidade, não é menos verdade que na Freguesia de Fernão Ferro os responsáveis pela sua organização rodoviária são os primeiros a não cumprirem com os critérios de segurança.

Se o excesso de velocidade é a primeira causa dos acidentes dentro das localidades, onde a velocidade máxima é de 50 km., a única forma de pôr termo a esta “guerra civil” é obrigar os automobilistas a andarem mais devagar.

Em muitas situações, as ruas e estradas, de Fernão Ferro, não estão sinalizadas ou então estão, mas mal. A maioria dos cruzamentos das suas ruas não têm sequer um único sinal de stop, o que constitui perigo para a vida.

Raras são as ruas onde o sinal de stop é acompanhado pela colocação no piso da respectiva marca horizontal para indicar o sítio onde o condutor deve parar.

Nos cruzamentos de ruas compridas, autênticas pistas de velocidade, que são um apelativo para os excessos de velocidade, - apesar dos seus pontos de colisão, no quotidiano vimos carros a circularem dentro da localidade ao dobro da velocidade permitida - a colocação de sinais de stop tanto no sentido Norte – Sul como Este – Oeste do cruzamento evitaria em muito as colisões que se verificam na Freguesia e, especialmente com grande incidência, nos
Redondos, na Rua Agostinho Silva, onde esta entronca com as ruas Associação de Moradores, Barbosa do Bocage, Salgueiro Maia e Mário Viegas.
Esta omissão é inaceitável porque é directamente causal á ocorrência de colisões frontais que ali se verificam quase diariamente e que já provocaram uma vítima mortal, muitos feridos graves e grandes prejuízos materiais.

Esta tragédia é tão assustadora que muitos condutores conhecedores do perigo que os espreita até já param no cruzamento da Rua Agostinho da Silva com a Rua Associação de Moradores, mesmo quando circulam no sentido que não tem qualquer sinal de stop.

Neste cruzamento, para além dos quatros sinais de stop, a colocação de bandas sonoras antes destes é fundamental pois o movimento é muito e a desatenção é grande.

Também as duas mini-rotundas que se encontram na Estrada dos Redondos são um obstáculo difícil de contornar pelos condutores dos autocarros dos transportes públicos que, na maior parte das vezes, quando têm que virar à esquerda entram em contra-mão, conforme a imprensa regional já registou por mais de uma vez.

A mini-rotrunda que está no cruzamento da Estrada dos Redondos com a Avenida do Seixal, para além dos inconvenientes já referidos é ainda um dos famigerados locais no mapa da sinistralidade rodoviária da nossa Freguesia e que urge resolver.

Se as rotundas são um meio eficaz para a fluidez do trânsito e diminuição de acidentes estas duas mini-rotundas, efectivamente, não são, pela especificidade que apresentam, uma alternativa feliz e bem conseguida.

O número de ruas com sentido único pode ser ampliado e melhorado.

O estacionamento nestas ruas, sobretudo nas mais estreitas devia ser permitido apenas num lado da rua para evitar o estrangulamento da rua sempre que dois carros estacionem paralelamente junto aos passeios.

A colocação de espelhos nas saídas de ruas secundárias onde o ângulo de visão é difícil, contribuía também para se evitar alguns acidentes.

A sinalização vertical, apesar do esforço que tem sido feito no sentido de a melhorar ainda está muito aquém do desejável.

Nalguns locais é inexistente, noutros está mal colocada e nalguns sítios até constitui um perigo para os peões.

Um exemplo do pouco cuidado que também se observa nesta matéria encontra-se mesmo em frente do edifício da Junta de Freguesia onde os mais distraídos não conseguem evitar bater com a cabeça no sinal que ali se encontra colocado para indicar a existência de passadeira para peões.

Além de este estar recuado, dificultando a sua observação a quem conduz, ainda constitui um perigo acrescido para quem próximo dele estaciona ou circula a pé no passeio.

Há ainda locais onde os peões têm de abandonar os passeios, já de si estreitos, porque os sinais estão no meio destes e colocados a uma altura que impede a sua circulação e obriga-os a caminhar na estrada aumentando assim o risco de atropelamento.

Infelizmente, os responsáveis pela nossa segurança rodoviária só identificam um local perigoso como “Ponto Negro” depois, e não antes, de algumas vidas lá ter sido sacrificadas.

Muitas vidas já teriam sido poupadas na perigosíssima curva da Pavil, um Ponto Negro na estrada regional 378, que liga Marco do Grilo a Coina, e que tem sido ignorado pelas autoridades competentes pois apesar de, desde há muito tempo ser tristemente conhecido até hoje ainda nada foi feito.

Quantos mais mortos serão precisos, quantas mais famílias terão de ser destroçadas ainda para se corrigir o que já devia há muito estar corrigido?

Os acidentes lançam a tragédia sobre muitas famílias e deixam a comunidade mais pobre, pelo que nos questionamos se podemos continuar a ignorar estas questões que têm sido denunciadas várias vezes, aqui mesmo nesta Assembleia de Freguesia e em diversos órgãos da nossa comunicação social.

Identificadas que estão algumas das situações de maior risco é importante que não se perca mais tempo e se desenvolvam as acções que se impõem para diminuir a sinistralidade rodoviária em Fernão Ferro, particularmente, e no concelho do Seixal, em geral.

O acidente é evitável mas é preciso actuar no terreno corrigindo o que deve ser corrigido e melhorando o que tem de ser melhorado para evitarmos também os atropelamentos de crianças e idosos que são a maioria dos atropelados nesta Freguesia.

Sendo a Câmara Municipal o órgão executivo colegial do município (Artº252 C.R.P.) que “visa a prossecução de interesses próprios da respectiva população” (Artº235 C.R.P.) dos quais inquestionavelmente faz parte a segurança, protecção e bem estar dos cidadãos e competindo às Estradas de Portugal “promover a melhoria contínua das condições de circulação” bem como “promover a segurança rodoviária e comunicação com o utente através da sinalização adequada” (Artº4, nº1, alínea J) e nº2, alínea I) Dec.- lei nº237/99, compete a esta Assembleia alertar as entidades competentes para estas questões que são de saúde pública e de grande importância para a segurança de todos nós, e solicitar a estas que actuem rapidamente e acolham positivamente as sugestões aqui apresentadas.


Este documento foi enviado à:
- Direcção-Geral de Viação
- Ministério da Administração Interna
- Estradas de Portugal
- Câmara Municipal do Seixal
- Assembleia Municipal - Assembleias de Freguesias do Concelho do Seixal –
- Administrações das AUGIS
- Associações de Proprietários e de Moradores da Freguesia de Fernão Ferro
- Colectividades de F. Ferro
- GNR - Destacamento Territorial de Almada
- GNR – Posto Territorial de Fernão Ferro
- Observatório de Segurança das Estradas e Cidades
- Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados



FF aos 01.10.2009

8 comentários:

Filipe de Arede Nunes disse...

Excelente documento.

Os meus parabéns aos autores.

Cumprimentos,
Filipe de Arede Nunes

Azevedo disse...

Sr. Reis, não existem dúvidas que trabalhou em prole de um Fernão Ferro mais moderno.
Sem si vamos voltar á idade da pedra.
Reconsidere.

Dulce disse...

Parabéns ao sr.Fernando Reis por ter feito um trabalho muito exaustivo sobre um problema muito grande que tantas mortes e feridos já provocou.

Cristina disse...

Bem hajam

pelo extraordinário trabalho que estão a prestar-nos.
Continuem assim.

Hermínio disse...

Não percebo porque é que não se colocam mais passadeiras elevadas para travar os aceleras.
Esta medida resulta pois obriga a diminuir a velocidade louca que vimos por aí.
E os meus parabéns pelo interesse nestas questões que são fundamentais para a nossa vida diária.

tozé disse...

Junto ao mestre lopes aquilo é uma confusão de sinais que até engana os mais distraídos.
Deviam verificar aquilo porque está perigoso.

Suzana disse...

Não posso deixar de dar também o s meus parabéns pelo aparecimento deste blog e elos objectivos a que se propõem que são de louvar.
A sinistralidade rodoviária é uma chaga que só ser+a erradicada quando todos tomarem consciência de que a responsabilidade da vida ou da morte centra-se em quem conduz.
Se conduzir não beba, se beber não conduza mas sempre que conduzir conduza com civismo.
Com mais civismo reduzia-se drásticamente a sinistralidade.

Anónimo disse...

É preciso alertar os condutores para a necessidade de uma alteração de comportamentos